Aderlan Crespo
Temos conhecimento da dimensão da
guerra ao assistirmos a um filme, um documentário, ao ler um livro, ou diante
de imagens transmitidas pelo jornalismo da televisão. Estas experiências nos
projetam de alguma forma para a experiência da guerra, mas as sensações ainda
são limitadas pelo fato de estarmos em um lugar seguro e distante. Como se diz
no senso comum: “ só sabe quem vive”!
Todavia, no presente momento o mundo
todo está vivenciando uma experiência minimamente similar a de uma guerra, pois
há uma mobilização nacional, há medo, há crise, há países envolvidos, e há a
tentativa de ganhar do inimigo. Não é uma guerra, por certo que não, mas as
pessoas em suas casas protegidas, as ruas vazias, o comércio praticamente
parado e escolas fechadas, nos fazem admitir que esta é uma situação super
extraordinária, nunca antes presenciada neste século. Sim, neste século, porque
no século anterior foram duas grandes guerras realizadas e que resultaram em
tragédias marcantes.
É preciso afirmar que, apesar dos
malefícios decorrentes das duas grandes guerras bélicas, o mundo repensou o
significado da guerra, seus motivos e, principalmente, seus ganhos. Indagar por
exemplo: o que se ganha com a guerra?
Mas, neste século, por ocasião do
surgimento de um novo vírus, o mundo vivencia um fenômeno de dimensão
planetária, pelo qual todos os países estão em alerta e seus cidadãos
desprotegidos. As vítimas nos deixam e, ao mesmo tempo, nos fazem lembrar, de
novo, que a vida vai além dos projetos isolados de cada povo. Podemos conviver!
É preciso rever nossos projetos individuais e coletivos, sobre nossas escolhas
e nossas metas. Um condomínio internacional, no qual todos se ajudam, se
protegem e buscam o mesmo grau de felicidade. É uma escolha.
A dicotomia parece evidente: a Paz é
reversamente o efeito da Guerra. Por assim dizer, quando admitimos viver em
tempos de guerra também vivenciamos a paz, ou melhor, o fim do medo, o alto
sentimento pela paz, o desejo subjetivo da segurança. Estar entre o bem e o mal
parece comum durante a vida de cada pessoa, ainda que façamos o melhor. Mas,
ainda assim, nada nos impede de pensar: o que eu poderia ter feito diferente,
ainda melhor do que fiz?
Os países criam justificativas e
motivos diversos para a corrida armamentista, para o investimento de bilhões em
novas tecnologias destruidoras e para o intervencionismo violento contra outros
povos. Acompanhamos estas notícias como se a guerra fosse algo comum e
inevitável. Mas, a guerra é declarada, ela é uma escolha e pode ser evitada. A
experiência que enfrentamos agora pode ser um efeito natural de um processo
microscópio que ignoramos, independente de uma decisão política, mas de igual
forma serve para repensarmos nossas atitudes com os demais povos. A quebra da
soberania deve ser evitada a todo custo, pois a invasão é um ato desumano,
ainda que a causa seja desumana. Mas a colaboração solidária é uma ação que
muda vidas para melhor e o ambiente mundial muda.
Os países, nos seus mais valorosos
princípios internos, são conduzidos por metas financeiras que o capitalismo
determinou. Decidiu-se pelo modelo capitalista como sendo o mais justo e
racional, e pelo qual o mérito individual tornou-se a força capaz de promover a
vitória, o sucesso, o conforto, a capacidade de consumo e a tal felicidade.
Mas, existem relações desiguais entre as pessoas? Existem relações desiguais
entre os países? O capitalismo considera a solidariedade a sua mais forte
coluna de sustentação?
Enfim, Milton Santos já havia
pensado, como tantos outros pensadores, que a Humanidade precisava parar e repensar
a própria Humanidade. Repensar a partir do passado, dos sofrimentos que
presenciamos e do futuro que desejamos. O improvável surge para todos nós como
se fôssemos pequenos seres indefesos, mas ainda assim temos a tendência de nos
sentirmos melhores do que outros. Eis a oportunidade para mudarmos nossa forma
de pensar e viver. Eis a questão...

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