A complexidade da conduta humana

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INSTITUTO DE ESTUDOS CRIMINAIS DO ESTADO DO RIO DE JANEIRO

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segunda-feira, 6 de abril de 2020

Guerra e paz no planeta. O expansionismo do medo.


Aderlan Crespo
            Temos conhecimento da dimensão da guerra ao assistirmos a um filme, um documentário, ao ler um livro, ou diante de imagens transmitidas pelo jornalismo da televisão. Estas experiências nos projetam de alguma forma para a experiência da guerra, mas as sensações ainda são limitadas pelo fato de estarmos em um lugar seguro e distante. Como se diz no senso comum: “ só sabe quem vive”!
            Todavia, no presente momento o mundo todo está vivenciando uma experiência minimamente similar a de uma guerra, pois há uma mobilização nacional, há medo, há crise, há países envolvidos, e há a tentativa de ganhar do inimigo. Não é uma guerra, por certo que não, mas as pessoas em suas casas protegidas, as ruas vazias, o comércio praticamente parado e escolas fechadas, nos fazem admitir que esta é uma situação super extraordinária, nunca antes presenciada neste século. Sim, neste século, porque no século anterior foram duas grandes guerras realizadas e que resultaram em tragédias marcantes.
            É preciso afirmar que, apesar dos malefícios decorrentes das duas grandes guerras bélicas, o mundo repensou o significado da guerra, seus motivos e, principalmente, seus ganhos. Indagar por exemplo: o que se ganha com a guerra?
            Mas, neste século, por ocasião do surgimento de um novo vírus, o mundo vivencia um fenômeno de dimensão planetária, pelo qual todos os países estão em alerta e seus cidadãos desprotegidos. As vítimas nos deixam e, ao mesmo tempo, nos fazem lembrar, de novo, que a vida vai além dos projetos isolados de cada povo. Podemos conviver! É preciso rever nossos projetos individuais e coletivos, sobre nossas escolhas e nossas metas. Um condomínio internacional, no qual todos se ajudam, se protegem e buscam o mesmo grau de felicidade. É uma escolha.
            A dicotomia parece evidente: a Paz é reversamente o efeito da Guerra. Por assim dizer, quando admitimos viver em tempos de guerra também vivenciamos a paz, ou melhor, o fim do medo, o alto sentimento pela paz, o desejo subjetivo da segurança. Estar entre o bem e o mal parece comum durante a vida de cada pessoa, ainda que façamos o melhor. Mas, ainda assim, nada nos impede de pensar: o que eu poderia ter feito diferente, ainda melhor do que fiz?
            Os países criam justificativas e motivos diversos para a corrida armamentista, para o investimento de bilhões em novas tecnologias destruidoras e para o intervencionismo violento contra outros povos. Acompanhamos estas notícias como se a guerra fosse algo comum e inevitável. Mas, a guerra é declarada, ela é uma escolha e pode ser evitada. A experiência que enfrentamos agora pode ser um efeito natural de um processo microscópio que ignoramos, independente de uma decisão política, mas de igual forma serve para repensarmos nossas atitudes com os demais povos. A quebra da soberania deve ser evitada a todo custo, pois a invasão é um ato desumano, ainda que a causa seja desumana. Mas a colaboração solidária é uma ação que muda vidas para melhor e o ambiente mundial muda.
            Os países, nos seus mais valorosos princípios internos, são conduzidos por metas financeiras que o capitalismo determinou. Decidiu-se pelo modelo capitalista como sendo o mais justo e racional, e pelo qual o mérito individual tornou-se a força capaz de promover a vitória, o sucesso, o conforto, a capacidade de consumo e a tal felicidade. Mas, existem relações desiguais entre as pessoas? Existem relações desiguais entre os países? O capitalismo considera a solidariedade a sua mais forte coluna de sustentação?
            Enfim, Milton Santos já havia pensado, como tantos outros pensadores, que a Humanidade precisava parar e repensar a própria Humanidade. Repensar a partir do passado, dos sofrimentos que presenciamos e do futuro que desejamos. O improvável surge para todos nós como se fôssemos pequenos seres indefesos, mas ainda assim temos a tendência de nos sentirmos melhores do que outros. Eis a oportunidade para mudarmos nossa forma de pensar e viver. Eis a questão...