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quinta-feira, 16 de abril de 2020

A história que flagela os mais fracos. A República cumpre o seu papel?

                                                                            Aderlan Crespo
A Era da Escuridão pode ser identificada em dois grandes momentos da história. A primeira no transcurso da Idade Média com a implantação da Inquisição, pela qual milhares de pessoas foram perseguidas por critério únicos da Igreja Católica, e o segundo durante a da Idade Moderna com a escravidão de africanos seqüestrados para a Europa e o Brasil. Com a fase dos governos republicanos logo no início do século XX imaginava-se um cenário completamente inverso, no que tange a "como tratar os indivíduos", sejam nacionais ou de territórios internacionais. Porém, o que se viu foram duas grandes guerras mundiais, com um número absurdamente alto de mortos. Os motivos destas guerras nunca prevaleceram sobre o princípio humanitário. A garantia da liberdade individual, do futuro e da vida, diante destas guerras, tornaram-se mitos.
O desenvolvimento da sociedade capitalista  durante todo o século XX intensificou outro exemplo de escuridão, só que velada. Trata-se da escuridão surgida com a sedimentação da sociedade de classes, a exclusão social ou a precarização da vida do trabalhador e da trabalhadora. Consequências da Era do Desenvolvimento disseram, pois nem todos conseguem ter o êxito da conquista. Mas, o que sempre se contestou sobre este processo, foi a ausência de meios para que qualquer um pudesse chegar ao final da corrida, pronto para saborear o gosto da vitória, após tanta luta. Este fenômeno, igual mas diferente ao que ocorria durante a toda a história (Idade Antiga e Idade Média), sempre difundiu a ideia (ilusória) de que todos são iguais e de que todos podem ascender ao topo social, a depender de seu suor, sacrifício e esperança. A meritocracia foi a principal ferramenta da argumentação proferida à grande massa popular, para que acreditassem na possibilidade do acesso aos andares sociais superiores. Ter o povo como apoiador (ou não) providenciou a expansão e o fortalecimento das técnicas capitalistas conduzidas por empresários e banqueiros. Os mais fortes tornaram-se muito mais fortes durante o século XX. Nesta fase da história imaginava-se que os princípios norteadores da república pudessem garantir a equidade nas ações governamentais. A justiça deveria vir das práticas governamentais, daqueles que se colocaram à disposição da política.
E o que presenciamos no século XXI?
O que se percebe-se, pelo índices que medem a desigualdade dos cidadãos (eixo referente a qualidade de vida das pessoas, considerando a renda per capita, acesso aos bens básicos, acesso aos serviços de saneamento, sistema de saúde e de educação e, ainda, a habitação) é a  maximização da desigualdade, ou seja, um aumento exponencial de pessoas na linha ou abaixo da linha de pobreza. Os mais fracos se tornaram ainda mais fracos durante o século XX. E agora no século XXI torna-se visível este trágico quadro nacional. O trabalho, como necessária ação do cidadão, deveria garantir o necessário, o fundamental, o essencial... Mas, o que se vê é a expansão das favelas, do desemprego e das perdas salariais, e, portanto, da desqualificação da vida. O princípio básico da sociedade industrial-comercial-financeira é a riqueza e o crescimento. Portanto, o trabalho e a potencialização do maior número de cidadãos viabilizaria o crescimento e o desenvolvimento, mitigando, inclusive, a super-dependência do Brasil aos demais países. Cidadãos com educação e renda torna-se o agente do crescimento.
A pandemia do Novo Coronavírus expõe as faces visíveis desta desigualdade, pelo fato de que os hospitais públicos, sempre antes denunciados, encontram-se em subcondições de uso, apesar da força e competência dos agentes de saúde. A estrutura é crítica normalmente, e agora plenamente insuficiente para atender uma demanda tão elevada.
A pandemia causou uma crise econômica, mas também aponta para uma crise antiga, sempre negligenciada, que é desigualdade da qualidade de vida das pessoas. Os que possuem dinheiro superam de uma forma ou de outra os obstáculos da vida pós-moderna, mas os que são subempregados, e que eram motivo de olhares de compaixão, hoje tornam-se vítimas letais, pois a qualidade da alimentação, do trabalho e da saúde mental são critérios para uma alta imunidade, capaz de superar de melhor forma a crise mundial de saúde.
Portanto, a crise da HUMANIDADE sempre foi a crise da desigualdade, forjada pela forma como se divide a riqueza, o alimento e a felicidade. Salve a empatia!

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