CIDADE DO RIO DE JANEIRO: Do elo perdido à Cidade Maravilhosa! Aderlan Crespo
Que seja dito...: a população carioca há muitos anos desejava uma cidade sem tantos conflitos, sem tantas comparações com os conflitos orientais e sem tantas cenas de incursões policiais espetaculares. Pois é, não precisamos ser tão detalhistas para que se afirme tratar-se dos temas: FAVELA E TRÁFICO.
Muito mais do que um “reduto da criminalidade”, nas falas repressoras da elite e de agentes da segurança pública - apesar do reconhecimento da expressiva população nas favelas, composta por trabalhadores, estudantes, agentes sociais e culturais - a favela denuncia um complexo de inter-relacionamento, com inúmeras pitadas de atrativos diversificados, tanto para cineastas, como para pesquisadores, mídias alternativas e simpatizantes do funk,
Este lugar, ora temido, ora curioso, foi palco recorrente dos discursos eleitoreiros, de pessoas que efetivamente não circulavam por estes espaços urbanos, nem para curtir um “sambinha de raiz”. Mas, ante o interesse de obter votos, até fotos com criancinhas negras de vestes simples. Muitas foram as imagens divulgadas de candidatos que decidiam explorar as vidas ali existentes.
As forças policiais que “desde sempre” subiram às favelas para realizar operações, não convenciam somente porque iam lá, lá naquele lugar... mas fundamentalmente porque não contribuíam para o futuro, apenas para aquele momento “da foto”. Claro que, eventualmente, nas operações prendiam algumas pessoas, matavam outras, até mesmo os “azarados” que os projéteis encontravam nos seus cursos perdidos, mantendo sempre o mesmo ciclo político de seguança. Quase um ciclo natural, do tipo “coisa da natureza” e não governamental.
Mas, justamente próximo ao período da eleição da cidade que sediaria as Olimpíadas de 2016, surgem as Unidade de Polícia Pacificadora, vulgo UPP. Este programa é simples: trata-se de uma proposta de integração de agentes policiais nas favelas (Policiamento Comunitário), cuja forma exige permanência e não apenas ocupação eventual, como sempre se fez. Para tanto, articula-se inúmeras forças da Segurança Pública, até mesmo das Forças Armadas do país, para que seja possível a incursão, considerando a presença de pessoas armadas que exercem o comércio de drogas “ilegais”.
Neste cenário urbano, que envolve política e segurança, deve estar sempre presente a constatação de que pessoas moram nas favelas e que esperam por ações concretas que melhorem as suas vidas, ou de outra forma, que o Estado exerça seu papel de atender as demandas mínimas dos seus cidadãos, que um dia foram observados por candidatos e citados nos discursos de campanha e intelectuais observadores.
Agora, surge o tema da descriminalização, legalização ou despenalização dos envolvidos com o comércio de drogas, ou melhor, da maconha. Sim, porque sobre os usuários esta questão já foi quase resolvida na Lei 11.343/06. Surgem também, em paralelo, drogas derivadas da cocaína (Crack e Oxi) que são adquiridas por preço bem reduzido, por pessoas que se destróem rapidamente. Estas novas drogas também trazem questões muito antigas à tona, como por exemplo: o desprezo e ausência de política de inclusão para os moradores das ruas da cidade (crianças, adolescentes, adultos, idosos, doentes...).
Há muito que fazer, para além da “Higienização” e “Ordem e Progresso”, mas que se aproveite, perversamente, estas justificativas de jogos internacionais, e se faça um efetivo programa de reconstrução da cidade, incluindo todos aqueles que dela fazem parte, seja favelado, morador de rua ou moradores de áreas de interesse dos governos e empresários, que desapropriam em nome das “obras”.
Sejamos mais do que expectadores de jogos, sejamos solidários e fraternos, ao menos para exigir dos representantes do Executivo algo mais do que projetos arquitetônicos, que sempre existiram e nunca mudaram as nossas vidas. Sejamos, efetivamente, parte e ativos da nossa cidade, demandando políticas relacionadas aos direitos previstos internamente e nas diretrizes internacionais.
FAVELA SANTA MARTA
17/12/2010 11h00- Por UOL Notícias. Primeira UPP do Rio de Janeiro completa dois anos
http://noticias.uol.com.br/ultnot/multi/2010/12/17/04029C316ECCA18307.jhtm
UPP dá uma força para a Rio 2016Segunda-feira, Setembro 14, 2009Texto e fotos: Priscila Marotti http://upprj.com/wp/?p=84
Capitão Pricilla estará presente no anúncio da sede da Olimpíada de 2016
Nem jogador de futebol, nem atleta de vôlei. No dia da eleição da cidade que irá sediar as Olimpíadas de 2016, o Rio de Janeiro terá um representante de outra categoria: a segurança pública. Comandante da Unidade de Polícia Pacificadora (UPP) do Santa Marta, a capitão Pricilla de Oliveira Azevedo foi convidada pelo Comitê Olímpico Brasileiro (COB) para estar presente no tão esperado anúncio de Copenhague, na Dinamarca. A capitão irá acompanhada da estudante Paula Andreza, de 12 anos, moradora do morro.
O convite foi feito pelas autoridades do COB que, durante uma reunião realizada em maio, com representantes do Comitê Olímpico Internacional (COI), conheceram os detalhes do modelo de policiamento das UPPs. A apresentação impressionou na época a presidente da comitiva, a marroquina Nawal El Moutawakel.
- Expliquei a nossa proposta de aproximação, de ouvir e, principalmente, interagir com o cidadão. Acho que eles gostaram – conta a sorridente capitão.
O presidente do Comitê Olímpico Brasileiro, Carlos Arthur Nuzman, responsável pelos convites, reconhece a importância dessa nova imagem das comunidades do Rio de Janeiro. Para ele, a interação entre polícia e cidadão é um dos grandes trunfos que o Rio de Janeiro tem a seu favor.
- O conceito de ‘polícia de proximidade’ traz intervenção social e interação com os jovens antes da repressão. O Rio de Janeiro está investindo na formação de uma nova geração de policiais. E a segurança da cidade para seus moradores e a “Família Olímpica” é um dos principais pontos que norteiam o projeto de segurança da candidatura Rio 2016, que deixará um legado para a transformação da cidade e do país, avalia Nuzma.
FAVELA BABILÔNIA
A visão de quem é vizinho de uma UPPPublicado 15/0
6/2010 r Rio de Janeiro pós-UPP – 14/06/2010 Deixar um Comentário Tags:Babilônia, Carlos Palo, Percília, Rio de encontros, Rio de Janeiro pós-UPP – 14/06/2010
Percília mostrou otimismo com a UPP (Foto: Alex Forman)
Dona Percília vive há 62 anos no Morro da Babilônia, no Leme. Há décadas, realiza um trabalho exemplar na coordenação de um espaço dedicado ao reforço escolar, que se mantém com verba da Suécia. De expressão séria e tímida, ela mostrou segurança quando pegou o microfone para contar como está encarando a vizinhança de uma UPP.
– Nós vivíamos em paz mesmo com o tráfico, eles nunca atrapalharam o trabalho comunitário. Mas a favela foi invadida e ficamos mal. Então chegou a polícia para jogar água no fogo. Com a UPP melhorou porque convivíamos com bandidos com armas. Mas na minha opinião pode melhorar muito mais. O vice-presidente da Associação de Moradores da Babilônia também pediu a rápida intervenção do Estado para garantir serviços à comunidade. “ A ausência de ação social incomoda as pessoas. Depois de um ano ainda estamos pedindo, faltou planejamento mínimo.”.
FAVELA CIDADE DE DEUS
Treze anos depois, embora o cenário seja o mesmo, enredo e atores da comunidade criada em 1963 e que hoje já soma 38 mil pessoas são diferentes. Os moradores e os novos policias têm até dificuldade para identificar onde fica o muro.
Quem anda pela ruas decadentes e maltratadas da Cidade de Deus, cheias de lixo e porcos, percebe os olhares receosos. O estranhamento de ver jornalistas transitando com liberdade permanece. Mas não há dúvida de que são os moradores os novos donos do pedaço:
- Antigamente, era cheio de playboy em Honda Civic, que comprava droga - conta um menino, enquanto solta pipa no ponto onde funcionava uma antiga boca, conhecido como Praça da Bíblia.
DESAFIO Feira de drogas resiste à UPP da Cidade de Deus
RIO - Principal programa de segurança pública do estado para resgatar a paz nas favelas do Rio, as Unidades de Polícia Pacificadora (UPPs) conseguiram acabar com a exposição de armas nos morros, mas não com o comércio de drogas. O flagrante de uma feira para a venda de maconha e cocaína, em plena luz do dia, na Cidade de Deus, segunda comunidade a ganhar uma UPP no RJ. - Já recebemos algumas denúncias deste tipo. Não podemos nos esquecer que fizemos mais de 200 prisões na Cidade de Deus, desde que instalamos lá uma UPP. A missão básica sempre foi desarmar os traficantes e levar paz aos moradores. O vídeo parece que não mostra gente armada. - Acho difícil um policial de uma unidade de pacificadora fazer vista grossa para algum crime. Uma filmagem numa esquina onde há a venda de 10 ou 15 papelotes, considerando que são viciados, doentes, é factível. É um caso de saúde pública. São pessoas que precisam de tratamento - avaliou Beltrame. O secretário ressaltou a dificuldade de controlar a Cidade de Deus, a maior área ocupada pela polícia com uma única UPP.
PROGRAMAS SOCIAIS
UPP SOCIAL?
Beltrame, sobre UPPs: 'Nada sobrevive só com segurança. É hora de investimentos sociais'
http://oglobo.globo.com/rio/mat/2011/05/28/beltrame-sobre-upps-nada-sobrevive-so-com-seguranca-hora-de-investimentos-sociais-924557293.asp#ixzz1Pohz3Aag
Publicada em 28/05/2011 às 18h22mElenilce Bottari e Liane Gonçalves
RIO - Quase como um ritual de batismo, ao assumir a Secretaria de Segurança do Rio, em 1 de janeiro de 2007, o delegado José Mariano Beltrame ouviu de empresários e de representantes de órgãos públicos de todas as esferas de governo um conhecido discurso: o de que a falta de segurança e a presença de grupos armados impediam investimentos sociais nas favelas cariocas. Hoje, 17 UPPs depois e diante da expectativa de 300 mil moradores das favelas pacificadas, ávidos por dignidade, é a vez de Beltrame reclamar. Mostrando uma angústia incomum para um homem normalmente fechado e se dizendo chateado com a demora na chegada de investimentos sociais e de infraestrutura às comunidades, o secretário falou ao GLOBO sobre os objetivos do programa das Unidades de Polícia Pacificadora, anunciou novas metas para o próximo triênio e alertou para o problema da falta de participação da sociedade na inclusão das favelas:
- Nada sobrevive só com segurança. Não será um policial com um fuzil na entrada de uma favela que vai segurar, se lá dentro das comunidades as coisas não funcionarem. É hora de investimentos sociais.
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