A complexidade da conduta humana

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INSTITUTO DE ESTUDOS CRIMINAIS DO ESTADO DO RIO DE JANEIRO

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sexta-feira, 2 de outubro de 2020

A força interna para lidar com os golpes diários.

                                                  Por Aderlan Crespo em uma primavera

O propósito de uma reflexão é estimular o pensamento para que possamos ter mais clareza sobre vários aspectos da vida. Reflexão é movimento abstrato da consciência para que as ações concretas se realizem de acordo.

Quando decidimos compartilhar nossas reflexões outras pessoas são provocadas também a gerar um processo de pensamento sobre aquele tema, fazendo com que nosso consciente se envolva e possamos ter alguma opinião mais clara sobre como podemos proceder no futuro.

Neste sentido, pretendo fazer uma reflexão direcionada a nossa capacidade de mentalizar bons pensamentos e a partir daí termos atitudes mais positivas no nosso cotidiano, na relação interpessoal, já que a nossa regra em vida é CONVIVER. A coexistência exige, desde criança, uma atitude integracionista com as pessoas, e esta experiência se inicia na família. Estar integrado é uma obrigação humana. Portanto, a qualidade desta integração depende de nós mesmos.

Neste sentido, podemos buscar qualidade de vida na relações humanas do cotidiano e essa qualidade fortalecerá nossa capacidade mental de estarmos cada vez mais preparados a Absorver os Golpes praticados contra nós, como que uma forma de defesa mental para superarmos sem o confronto. Certamente que não seremos capazes de evitar 100% das ações contra nós, mas provavelmente a mente estará previamente em alerta e nossa atitude dependerá de nossa consciência em atuar de forma a não aceitar os confrontos, as provocações, o surgimento da raiva em grande escala ou até o ódio.

Não se pretende defender uma atitude passiva, mas um exercício mental para que possamos decidir racionalmente como favorecer uma relação cotidiana com mais qualidade.

No nível profissional, principalmente na ADVOCACIA CONSENSUAL, cujo objetivo é evitar o conflito judicial, o confronto profissional entre advogados e advogadas, e pelo contrário estimular o entendimento, o tal “poder de absorção” dos golpes é fundamental, pois é justamente este tipo de esquiva, exercício mental e até o equilíbrio emocional, que permite que um diálogo positivo seja possível, promovendo o entendimento e a superação do problema, que, tradicionalmente, é levado ao judiciário, e que por anos se digladiam, com todos os atos, prazos e recursos possíveis.

Portanto, diante de algum dedicado aos estudos sobre comportamento humano e promoção do entendimento entre as pessoas, até mesmo entre pessoas jurídicas, defendo as seguintes atitudes como requisitos:

1.       Decidir não assimilar emocionalmente as ações ofensivas praticadas contra;

2.       Decidir que racionalmente podemos construir melhor saídas e estratégias para os conflitos que surgem;

3.       Considerar que o tempo pode ser um aliado fundamental para evitar um conflito. E no caso do(a) advogado(a) consensual, que decida atuar extrajudiciamente, o tempo deverá ser usado de forma muito paciente, até porque pode ser útil para pensar em estratégias preventivas e para o diálogo sem aceleração com a outra pessoa que deseja o conflito.

4.       Exercitar mentalmente que a boa atitude será melhor que a reação emocional conflituosa, pois a reação na mesma força e intensidade tende a aumentar e expandir o conflito;

5.       Praticar boas atitudes ajudam a compor um sistema mental positivo, pois tornará a empatia e a tolerância ferramentas pessoais poderosas.

6.       Exercitar somente o “ouvir” o outro, principalmente quando ele ou ela estejam desabafando suas opiniões com doses de raiva e impaciência. O bom diálogo sempre vem depois.

 

 

 

 

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