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INSTITUTO DE ESTUDOS CRIMINAIS DO ESTADO DO RIO DE JANEIRO

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terça-feira, 10 de agosto de 2021

A POLÍTICA TEATRAL: o populismo manipulador

Aderlan Crespo

  

         O Brasil possui uma história marcada pela colonização, ditadura e redemocratização. Um dos principais temas que ocupam o cenário brasileiro é o da “corrupção”, mas este não é um privilégio dos governos civis, que marcam a consolidação do regime democrático. Podemos até afirmar que foi com a colonização  portuguesa que deu-se início as práticas de desvios e corrupções, além de extrema violência contra os mais vulneráveis. Desta forma, a plataforma sócio-econômica do Brasil tem como fundação a própria corrupção, que exige, de todos nós, nas práticas mais comuns do dia-a-dia, uma mudança de postura, tanto nas ações particulares da vida dos cidadãos,  como nas ações políticas da administração pública. Vejamos a exposição abaixo sobre o falacioso saudosismo dos governos do regime militar:

 

                       “Se propina, desvio de recursos públicos e nepotismo atravessam o           noticiário e colocam o Brasil como 105º em percepção da corrupção num   ranking com 180 países, a direita pró-coturno busca colar o bordão “na    ditadura é que era bom” também no que diz respeito ao trato da coisa pública. Pesquisas e novos documentos mostram que essa afirmação não passa de fake  news. História ora contada pela metade, ora falsificada mesmo. “Ao contrário do que se difunde no senso comum, o período de 1964 a 1985 foi fértil em       denúncias de ilegalidades envolvendo empresas e o Estado no Brasil”,     afirma o historiador Pedro Henrique Campos, da Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro (UFRRJ). “Mesmo com os mecanismos de controle e   investigação    amordaçados, ficaram famosos casos de como o relatório Saraiva, Capemi, Coroa-Brastel, Halles, Delfin, BUC, Lume, Luftalla, Áurea, Atalla, TAA, Dow Chemical, projeto Jari, Petropaulo, Brasilinvest”, entre outros. O variado cardápio apresentado envolve cobrança de propina em obras     de energia; desvios na retirada de árvores secas do futuro lago de Tucuruí; “pedágio” em empréstimo da Caixa Econômica Federal a empresário; irresponsabilidade financeira com intervenção caridosa; superavaliação de   bens dados em garantia para empréstimo bilionário; injeção de dinheiro público em empresa falimentar; e assim vai.” (Pedro Biondi. Historiador)

 

         O populismo, que não se declara desta forma por quem o pratica, eis que oculta seu real objetivo pessoal e até perverso, significa atos distorcidos do bem comum, ou seja, trata-se uma estratégia política determinada  para iludir e manipular a boa-fé do povo, assim como para agradar pequena parcela que é simpatizante de governos rígidos, autoritários e toscos, disfarçados de democráticos.

 

         A  maioria da população brasileira é pobre, com deficiência no processo educacional e no acesso aos direitos básicos, como saúde e habitação. Isto significa que a desigualdade social está totalmente vinculada ao cenário político, pois a classe média e alta procura decidir quais governos devem atender aos seus interesses, e neste sentido é mais fácil surgir políticos populistas do que os comprometidos com a realidade brasileira, que exige políticas públicas de enfrentamento das diversas formas de exclusão. A exclusão social, e também a econômica, que favorecem a manipulação política, demonstram a mais perversa tradição mantida pela sociedade brasileira, que desconhece uma realidade onde a maioria possui seus direitos básicos, onde a pobreza seja uma exceção, onde a política seja honestamente a ferramenta para executar as melhores práticas para o povo.

 

         Desta forma, os governos que possuem projetos políticos pessoais tendem a conduzir deslealmente a população, como já ocorreu no Brasil com Getúlio Vargas, Jânio Quadros e  os governos militares. O regime autoritário, e, portanto, antidemocrático, não significa o melhor remédio para a má política. Significa sim o uso da violência como forma de controle.

 

         No Brasil de hoje, assim como já ocorreu no passado, estamos diante de políticos irresponsáveis, que usam de atitudes populistas ( conservadores  e de direita), que resgatam discursos ultrapassados para mostrarem-se como exemplos da ética e da moral, por meio de arroubos ameaçadores, negando as bases da democracia e da igualdade entre todas as pessoas, como se fossem arautos e anfitriões  da uma nova política, mas que não passam de pequenos políticos, beneficiados pela própria democracia, e que não desejam um Brasil de liberdades e igualdades. Estes desejam a apartação, regimes duros e ameaçadores, perseguição dos fazem oposição, uso das forças para seu próprio interesse, tendo a Bandeira da Nação como a ferramenta ilusória de inverdades antidemocráticas.

 

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