Aderlan
Crespo
O
Brasil possui uma história marcada pela colonização, ditadura e
redemocratização. Um dos principais temas que ocupam o cenário brasileiro é o
da “corrupção”, mas este não é um privilégio dos governos civis, que marcam a
consolidação do regime democrático. Podemos até afirmar que foi com a colonização portuguesa que deu-se início as práticas de
desvios e corrupções, além de extrema violência contra os mais vulneráveis.
Desta forma, a plataforma sócio-econômica do Brasil tem como fundação a própria
corrupção, que exige, de todos nós, nas práticas mais comuns do dia-a-dia, uma
mudança de postura, tanto nas ações particulares da vida dos cidadãos, como nas ações políticas da administração
pública. Vejamos a exposição abaixo sobre o falacioso saudosismo dos governos
do regime militar:
“Se propina, desvio de recursos públicos e nepotismo atravessam o noticiário e colocam o Brasil como 105º em percepção da corrupção num ranking com 180 países, a direita pró-coturno busca colar o bordão “na ditadura é que era bom” também no que diz respeito ao trato da coisa pública. Pesquisas e novos documentos mostram que essa afirmação não passa de fake news. História ora contada pela metade, ora falsificada mesmo. “Ao contrário do que se difunde no senso comum, o período de 1964 a 1985 foi fértil em denúncias de ilegalidades envolvendo empresas e o Estado no Brasil”, afirma o historiador Pedro Henrique Campos, da Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro (UFRRJ). “Mesmo com os mecanismos de controle e investigação amordaçados, ficaram famosos casos de como o relatório Saraiva, Capemi, Coroa-Brastel, Halles, Delfin, BUC, Lume, Luftalla, Áurea, Atalla, TAA, Dow Chemical, projeto Jari, Petropaulo, Brasilinvest”, entre outros. O variado cardápio apresentado envolve cobrança de propina em obras de energia; desvios na retirada de árvores secas do futuro lago de Tucuruí; “pedágio” em empréstimo da Caixa Econômica Federal a empresário; irresponsabilidade financeira com intervenção caridosa; superavaliação de bens dados em garantia para empréstimo bilionário; injeção de dinheiro público em empresa falimentar; e assim vai.” (Pedro Biondi. Historiador)
O
populismo, que não se declara desta forma por quem o pratica, eis que oculta
seu real objetivo pessoal e até perverso, significa atos distorcidos do bem
comum, ou seja, trata-se uma estratégia política determinada para iludir e manipular a boa-fé do povo,
assim como para agradar pequena parcela que é simpatizante de governos rígidos,
autoritários e toscos, disfarçados de democráticos.
A maioria da população brasileira é pobre, com
deficiência no processo educacional e no acesso aos direitos básicos, como
saúde e habitação. Isto significa que a desigualdade social está totalmente vinculada
ao cenário político, pois a classe média e alta procura decidir quais governos
devem atender aos seus interesses, e neste sentido é mais fácil surgir
políticos populistas do que os comprometidos com a realidade brasileira, que
exige políticas públicas de enfrentamento das diversas formas de exclusão. A
exclusão social, e também a econômica, que favorecem a manipulação política, demonstram
a mais perversa tradição mantida pela sociedade brasileira, que desconhece uma
realidade onde a maioria possui seus direitos básicos, onde a pobreza seja uma
exceção, onde a política seja honestamente a ferramenta para executar as melhores
práticas para o povo.
Desta
forma, os governos que possuem projetos políticos pessoais tendem a conduzir
deslealmente a população, como já ocorreu no Brasil com Getúlio Vargas, Jânio
Quadros e os governos militares. O
regime autoritário, e, portanto, antidemocrático, não significa o melhor
remédio para a má política. Significa sim o uso da violência como forma de
controle.
No
Brasil de hoje, assim como já ocorreu no passado, estamos diante de políticos irresponsáveis, que usam de atitudes populistas ( conservadores e de direita), que resgatam discursos ultrapassados para mostrarem-se como exemplos da
ética e da moral, por meio de arroubos ameaçadores, negando as bases da
democracia e da igualdade entre todas as pessoas, como se fossem arautos e anfitriões
da uma nova política, mas que não passam
de pequenos políticos, beneficiados pela própria democracia, e que não desejam
um Brasil de liberdades e igualdades. Estes desejam a apartação, regimes duros
e ameaçadores, perseguição dos fazem oposição, uso das forças para seu próprio
interesse, tendo a Bandeira da Nação como a ferramenta ilusória de inverdades
antidemocráticas.

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