Violência e sociedade. Fatos e histórias constantes.
Aderlan Cerspo
O trágico evento na escola pública em Realengo, bairro da zona oeste do Rio de Janeiro, desperta a atenção imediata de qualquer pessoa, dada a violência atípica, que possui, aos olhos da população, características estranhas, instigantes ou misteriosas.
Inicialmente, toda e qualquer sociedade possui um agrupamento humano, espaço privilegiado e principal de qualquer conflito entre seres racionais. O ser humano, dotado de capacidade intelectiva, como uma máquina processadora de informações e produtora de resultados, sobre os objetos pertences à sua existência (foco sobre o qual direciona seu interesse), é capaz de realizar quaisquer ações, inclusive aquelas que os outros não desejam. As regras morais deveriam determinar um comportamento amoldado ao suposto e abstrato interesse social pela harmonia, mas a sua ineficiência permitiu que as regras legais cumprissem esta missão. Estão aí os fatos e a história para mostrar o contrário: desde a concepção da pessoa humana como sujeito de direitos, que presenciamos as mais variadas formas de violência!
Os reis já o fizeram em nome do reino, a Igreja também mas em nome do reino dos céus (Deus), e o Estado em nome dos interesses do povo. Inúmeras foram as justificativas para explicar arbitrariedades e barbáries contra milhares de pessoas. O que mais surpreende é a ocorrência destes fatos em plena era republicana, como no Brasil e em vários outros países (Ditadura militar, disciplinamento nos guetos norteamericanos, limpeza racial na Alemanha...).
Mas, e os fatos humanos individuais. Ah, para este sempre precisamos apresentar uma resposta verdadeira, que explique tudo! Qual será verdade? O que é a verdade?
Assim, o que parece estranho em um primeiro momento, quando recebemos a notícia do fato, não se confirma quando obtemos as mais variadas informações sobre o caso.
Sobre tudo o que pode ser dito sobre violência, neste nosso mundo que deveria ser perfeito, desde a utópica pretensão de Jesus, deve permitir um amplo questionamento sobre as nossas ações, que possivelmente sirvam de reflexo para os demais, numa concepção de “mundo das massas” (inconsciente coletivo). Ou pelo que cada pessoa seja portadora de uma individualidade que exige um “conhecer” mais específico, sem rótulos preconcebidos, que tentam definir rapidamente uma ação inesperada, como se fosse algo “de outro mundo”. A história já nos provou o contrário, isto é, que a violência sempre esteve presente, e que talvez não nos preparamos para entender o “outro” que está ao nosso lado, de uma forma ou de outra.
Inúmeras poderão ser as explicações, mas sempre haverá a necessidade de se distinguir um fato do outro, uma pessoa da outra, sem que se preocupe com a aplicação de um remédio universal. Prevenção para os problemas sociais exigem medidas públicas constantes, e quanto ao individualismo é preciso considerar a nossa capacidade de surpreender, e que talvez seja evitada quando respeitamos as diferenças, mas nos aproximamos com um olhar de solidariedade e fraternidade.
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Um comentário:
Realmente professor, apesar da violência existir desde os primórdios ainda não nos acostumamos a lidar com ela de maneira individual e a analisá-la desde sua essência, ponderando os seus mais variados motivos de existir! Quando um caso como este acontece logo o julgamos como uma totalidade, sem identificar suas características individuais. Como por exemplo o bullying sofrido por este individuo e a forma como isto afetou o seu desenvolvimento e como foi tratado durante o decorrer de sua vida. Em síntese, estamos muito mal acostumados a formar nossa opinião crítica em cima de totalizações pré definidas pela sociedade, em vez de procurarmos analisar cada caso como único e necessário de análise individual.
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