A complexidade da conduta humana

A complexidade da conduta humana
Consciência versus Impulso

INSTITUTO DE ESTUDOS CRIMINAIS DO ESTADO DO RIO DE JANEIRO

INSTITUTO DE ESTUDOS CRIMINAIS DO ESTADO DO RIO DE JANEIRO
Instituto de Pesquisa e Promoção de Direitos

Pesquisar este blog

segunda-feira, 28 de janeiro de 2013


Ação política: teoria, prática e...indignação! Aderlan Crespo Possivelmente, diferentemente do que se imagina, contemplar, criticamente, as formas de vida que se materializam ao nosso lado não é uma tarefa fácil (quem dirá as mais distantes). Certamente, esta contemplação pode se dar de várias formas e por diversos motivos pessoais,: desde a compaixão religiosa à repugnância pela mal estar que a miséria pode impor visualmente. Mas, não será este o tema nuclear desta reflexão. O ponto nodal, pretendido nesta reflexão, é a “capacidade organizativa” dos indivíduos. E para afastar tendências conceituais múltiplas possíveis, emprega-se aqui o termo “capacidade” com o significado de “potência” (força para Nietzsche). No entanto, inaugurar a abordagem com a dificuldade da sensibilidade humana sobre a humanidade dos outros parece fundamental. Outro elemento descrito da ideia é a flexibilização da própria ideia, ou seja, propor a reflexão, e não afirmar uma certeza, uma verdade, uma opinião superior. Admitir, pois, a dúvida até mesmo na proposição da ideia, da reflexão. A aqui denominada “capacidade” organizativa refere-se à ação humana política para atuar em grupo, diante da forma como se apresenta a realidade humana, atravessada pela desigualdade. Neste sentido, é muito provável que o “olhar crítico” sobre as imagens da vulnerabilidade do outro dependa de uma interferência externa, seja pela prática coletiva, seja pela viagem que a leitura oferece (preferiu-se o uso da termo “oferece”, e não “ ofereça”, pois afirmo que a leitura tem a capacidade de promover a viagem-reflexão- como algo mais provável do que improvável). Mas, sempre admitindo o lado inverso (dialética), pode-se admitir que o “olhar” seja resultado de uma fonte interna, que possivelmente não será explicada pela genética, embora que, esta seja uma atitude de probabilidade mais reduzida, diante da inúmeras forças que nos levam a ser individualistas e ávidos pelas soluções dos nosso próprios problemas, como separados de tudo e de todos que nos “cercam” (entanda-se “nos cercam” como estarmos juntos no mesmo espaço, totalmente incluídos nos outros, como um único sistema composto por cada um de nós). Assim, seja motivado pela prática militante (militante aqui significando: ser humano que realiza “ação política” com a potência destinada a interferir no coletivo/vulnerabilidades sociais), ou pela leitura crítica, a potência surgida necessitará estar acompanhada de um ingrediente importante, ou mesmo determinante: a indignação! Historicamente, as práticas da potência crítica promoveram inúmeras mudanças para o coletivo, embora a grande maioria (desprovida desta potência) imagine que não há história ou um processo, ou que as mudanças foram “naturais”, “divinas”, “casuais” ou “decorrentes da vontade do rei”. Inúmeras são as práticas desta potência, principalmente as exercidas por grupos militantes (movimentos, entidades civis...), que fazem de suas formações profissionais (empoderamento técnico para a crítica) um instrumento legítimo para fortalecer as ações políticas. Desta forma, não somente as instituições mais midializadas pela grande mídia, como o “afroReggae” ( exemplo é a matéria publicada pelo Jornal O Globo no dia 27 de janeiro de 2013: “Aliás, a instituição, que se tornou a referência em trabalho social no Rio, sequer pode ser chamada só de ONG “meio popstar”, como o próprio Junior a define. Tem a sua marca em duas empresas e uma Organização da Sociedade Civil de Interesse Público (Oscip). E orçamento anual de R$ 20 milhões para tocar cerca de 30 diferentes projetos”), mais várias outras que possuem visibilidade ou não, fazem parte de um contingente que atuam potencialmente para o coletivo, numa perspectiva de mudança. Como já destacado, várias ações da referida potência são executadas, pelas chamadas ong’s ou movimentos (terceiro setor), e que comprovam a diferença existente entre os seres humanos, ou seja, entre aqueles que decidiram agir com potência sobre o coletivo e aqueles que apenas obedecem o individualismo, o conservadorismo, o preconceito e a indiferença. A partir do momento que decidem viver para alterar, seja com resultados quantitativamente menores ou maiores, mas com resultados transformadores, decidiram, então, ser pessoas diferentes (inclusive alvo de críticas e de criminalização). Decidiram realizar ações políticas que transformam, que alteram, ou que transgridem as estruturas sócio-econômicas da sociedade composta por vidas materialmente desiguais. Por outro lado, é comum presenciar a firmação dos conceitos de “felicidade” sobre estas formas de vida vulneráveis..., tanto por parte daqueles que aceitam (pela influência do discurso natural, divino...) fragilidade materiais, seja por aqueles que querem “manter” estas vulnerabilidades. Reside neste ponto o outro lado da “moeda”, isto é, o discurso de que não se trata de desigualdade, de vulnerabilidade, ou de exclusão, mas de “estado de felicidade”, que nada tem a ver com direitos, necessidades, ou valores...instala-se aí, como desafio para os seres diferentes, que escolheram o uso da potência, a crise, que pode e deve ter um significado positivo:a ação política poderá não ser vista como um doce perante os outros olhos, e isto exige consciência de que a potência existe para ser o incomum, o estranho, o gritante, o incômodo, o louco, ...enfim, aquilo que demonstra minha indignação,... um doce para o militante.

Nenhum comentário: