A complexidade da conduta humana

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Consciência versus Impulso

INSTITUTO DE ESTUDOS CRIMINAIS DO ESTADO DO RIO DE JANEIRO

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Instituto de Pesquisa e Promoção de Direitos

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domingo, 13 de setembro de 2015

Cadeia e pobreza no Brasil

                                                                Por Aderlan Crespo
A pobreza é resultado da forma como decidiu-se organizar a sociedade: a maioria apenas sobrevive para trabalhar. 
O sistema jurídico, na maior parte do mundo (capitalista), sustenta esta divisão social, na qual pessoas são reconhecidas, e possivelmente respeitadas, pelo que tem.
Pensemos honestamente: "para quem se destina as prisões"? "Quem são os adolescentes que também presos com adultos"?
A ideia de um país fundado por uma relação escravagista determina a constatação de que a "diminuição" de pessoas semelhantes àquelas do passado esteja ainda presente no cotidiano.
Acrescentando o fato social de que a cidade dividida ou partida não é nem uma coisa nem outra, mas apenas integrada por bolsões de riqueza e pobreza em suas zonas urbanas. E nestes bolsões de pobreza visualiza-se pessoas predominantemente "não brancas", visivelmente fora de um padrão de "elite branca carioca".
Assim sendo, talvez a construção histórica da cidade carioca se deu com a permanente "diminuição" social destas pessoas dos "bolsões", caracterizando o preconceito, e a ideia de que de lá não sairão. Esta outra análise nos permite admitir que a surpresa não seja as atitudes "racistas", mas a ascenção de pessoas "não brancas" em raros postos de trabalho, ou em outros menores exemplos: em lojas de grife, em shopings mais luxuosos, em carros mais caros e não populares, ou seja, visivelmente em situações que a cultura brasileira colonialista e carioca não autorizou na prática, nem culturalmente. Esse segmento, cujas pessoas sempre estiveram, e ainda estão, em tarefas mais simples como "domésticas", "cobradores" e "motoristas" de ônibus, funcionários da comlurb, ainda surpreendem, por eventualmente acessarem determinados direitos, como nas cotas "universitárias", só historicamente possíveis de serem exercidos pela "elite branca carioca" (o que surprende é a miscigenação na elite, ou seja, uma elite carioca "não branca".) . Pessoas deste próprio segmento "inferior" também podem não aceitar "ações afirmativas" para eles ou seus dependentes, por não admitirem a "diminuição" ou o chamado preconceito (tentam resistir a ideia de que há o "racismo" ou a "diminuição", por ser algo somente do passado).
Sugiro pois a reanálise do chamado "racismo" eventual, que choca", para a constatação de que a sociedade brasileira cristalizou o tratamento diferenciado, considerando as pessoas "não brancas" como alguém inferior, menos capaz e não apta a ser da "elite", mesmo quando ascendem nível educacional ou econômico, pois a rejeição é sobre não aceitá-los como "iguais socialmente", configurando, pois, não o racismo mas o "preconceito social".
O caso "Maju", como de outros que diariamente são tratados assim como "inferiores", também pode denunciar porque os "menores" são "menores" e não "adolescentes" pobres em situação de rua. A ideia de crime, no inconsciente e no consciente coletivo está vinculada a ideia de "inferioridade social", na certeza de que crimes (graves) e criminosos (perigosos), e que merecem punição a todo custo (violando até as garantias processuais), sâo pertences à categoria social dos "inferiores". Na prática a ideia de "redução da maioridade penal" se cogita para os "menores" (aqueles do segmento inferior) e não para os adolescentes da "elite branca".
Nosso país pode não ser assim tão "evoluído" como por vezes bradam, diante de casos levados à público. O dia a dia pode ser uma outra coisa...

Eu, ADERLAN CRESPO, sou CONTRA a pena de prisão!

    

                                                                Por Aderlan Crespo
Ao menos, DEZ motivos:
1- Por não condizer com a condição humana;
2- Por não dar resposta modificativa para o indivíduo;
3- Por não produzir efeito futuro para a sociedade;

4- Por privilegiar uma prática antiga com antigos fundamentos;
5- Por ser medida mais fácil, rápida e de alto custo para o Estado;
6- Por não evitar a reincidência;
7- Por ser trivial para o pobre e uma tragédia para o rico;
8- Por não ser capaz o Estado de organizar sem a liderança de facções;
9- Por atender a uma lógica excludente como faz o capitalismo;
10- Por que ninguém aceita, ninguém deseja e todos se apavoram!
http://justificando.com/…/porque-eu-nao-comemoro-a-prisao-…/



Nós somos SELVAGENS - O capitalismo nos modulou

                                                                               Por Aderlan Crespo
Considerar alguém diferente pela cor da pele, porque são pobres e pela sensação de medo, é a mais clandestina intolerância colonialista na pós-modernidade/contemporaneidade.
Sim, vão dizer que não há preconceito nem racismo.
Nosso país se formou com base na desqualificação do negro e do pobre, e essa ideologia se manteve durante todo século XX, em cujos governos, que não foram democráticos (salvo início da década de 90, pós ditadura), não se implantou nenhuma política includente, apenas minimizadora em determinados bolsões.
No consciente coletivo há sim a ideia de que "negro" ou "negra" não são pessoas normalmente presentes nos estamentos elevados de nossa sociedade, por mais que se diga que "todos somos iguais" e que a cor da pele não determina a pobreza ou a "incapacidade". Certamente que não, mas, historicamente, as gerações posteriores da escravidão brasileira colonial não obtiveram investimentos materiais para se inserirem qualitativamente, a ponto de seus filhos e netos "entrarem" nas camadas sociais econômicas medianas ou elevadas. É preciso dizer que, "conheço" alguns que conseguiram.
Ora, o que dizer da população das favelas e periferias?
De fato, são pessoas, famílias que exigem um Estado Providencial, com políticas contínuas que retirem sua cômodas aceitações da vida e os projetem como "cidadãos" livres terem e serem o que quiserem em termos profissionais.
As classes médias optam por colégios particulares para não terem seus filhos com os mais pobres, e que na maioria são negros.
Um grupo de jovens negros no ônibus, vindo da periferia, são considerados "ameaças", "perigosos", mas não pelo fato de estarem praticando qualquer violência, mas por estarem em um lugar "que não lhes pertence".
Somos tolerantes? Não somos mesmos preconceituosos?
Duvido...

DIREITO PENAL MARQUETEIRO. SOBRE UM DIREITO PENAL QUE DISCURSA PARA A PLATÉIA..

    Assim, o Direito Penal, se for apenas um só, DEVERIA ser aplicado à todos, imperiosamente, para que a credibilidade da lei não fosse questionada ou criticada.
Afinal, quem pode de fato resistir a aplicação da lei penal? Todos?
O Direito Penal é público mas a liberdade pode ser COMPRADA...POR QUEM PODE PAGAR POR ELA.
Direitos penais para pessoas diferentes...é assim que se vê no Sistema de Justiça Criminal brasileiro.
Muito discurso, pouca igualdade e muita perversidade do falso Direito Penal que valora o fato pelo valor que a "pessoa" possui.
Para possuir valor, para ser pessoa e não SUBpessoa, é preciso alguns requisitos, criados desde a colonização deste país.
http://odia.ig.com.br/noticia/rio-de-janeiro/2015-08-25/juiza-concede-liberdade-a-filho-de-pitanguy-mediante-fianca-de-r-100-mil.html

IMIGRAÇÃO - REFÚGIO - INVASÃO - DESILUSÃO

                                                                                           Por Aderlan Crespo
Notório que o tema da imigrações hoje ocupa um espaço significativo nas mídias.
Quais seriam os motivos para a expressiva atenção dada à este processo internacional?
Particularmente, vejo que esse evento sempre fez parte da história da humanidade. 
Os seres humanos, segundo a história relatada, sempre se moveu pelo mundo, tendo em vista as condições climáticas, falta de alimentação, ameaça local, busca pelo novo, conquistas entre tantas outras possibilidades.
Mais tarde, bem mais tarde, consagrou-se após a expansão marítima, pelos quais o antigos gregos se lançaram às novas terras, havendo o intercâmbio e o conflito entre povos. OU seja, moveram-se para descobrir e conquistar.
Mais tarde ainda, lá pelos séculos XV e XVI os povos atuais da Europa lançaram-se também às águas em busca de novas terras. E assim, chegaram ao continente americano e africano. A partir daí houve o movimento forçado, isto é, o "sequestro de povos" para que trabalhassem nas novas terras.
Esse movimento ao longo da história resultou na confluência de culturas e na miscigenação genética, produzindo novos povos e novas características.
Já há muitas décadas percebe que, após tantos e tantos conflitos, tantas e tantas explorações, os povos expropriados e massacrados precisam de ajuda, para necessidades básicas, que poderíamos denominar "direitos humanos fundamentais".
De tanto esperar e por notarem que os conflitos ainda continuam, resolveram sair de suas terras e buscarem as condições de vida que precisam. Portanto, moveram-se, como sempre o ser humano se moveu. No entanto, o que se apresenta diferente é: aquele que se move e entra com força militar e "pretensa" superioridade, não deseja o mesmo em suas terras.
Os países exploradores, pelo que fica claro, não aceitam ser "invadidos", mesmo que esse processo se dê de forma pacífica, porém em grupos elevados, pois muitos e muitos são os "desesperados" por condições mínimas de vidas nestes países pobres, mas que foram e ainda são um pouco explorados. Esses povos foram esquecidos, porque talvez nunca foram de fato considerados "seres humanos" iguais.
Precisamos discutir a HUMANIDADE, e não só economia, lucros, mercado financeiro, exportação e importação, turismo...
É preciso difundir o debate sobre: por que essas famílias estão se movendo, deixando para trás suas terras, raízes e culturas?
Vive-se, após a foto da crianças morta, um choque ético que fez sangrar a consciência de muitos, muitos europeus e norteamericanos. Precisamos discutir a HUMANIDADE!