DROGAS - SOCIEDADE “ORGANIZADA” – CONSUMO
Por Aderlan Crespo
Exatamente agora, com mais uma morte atribuída ao consumo de “cocaína”, penso sobre a importância de nossas opiniões sobre quem consome.
O fato é que sobre as nossas opiniões, fomos levados à acreditar que reprimir tornou-se o melhor modelo estatal, a partir do que iniciaram nos EUA, nos idos iniciais do século XX, já que o comércio envolvia grupos estrangeiros, cujo consumo se dava pela “aristocracia” norteamericana.
Então, resolvemos criminalizar. Criminalizar resolveu qual problema?
O que incomoda mesmo a questão das drogas ilícitas (basicamente cocaína, LSD e agora o crack)? Opções: a) fico sensibilizado com o “drama” alheio; é um produto que não deve ser comercializado porque nos tira a consciência; c) tem que ser assim e pronto; d) tenho medo de chegar à um familiar meu; e) gera violência.
De tempos em tempos nos surpreendemos com as vidas que são interrompidas, cujos motivos são atribuídos às drogas.
Mas, havendo inúmeros tipos de produtos que produzem os resultados análagos, por que criminalizar o comércio de algumas drogas e outras não?
Não estaríamos cobrindo a questão do usuário, na medida que ele não deveria consumir drogas lícitas ou ilícitas que o levariam à destruição? Desta forma, estaria de fato o problema na droga ou na pessoa, que decide consumir e decide “quanto consumir”?
Estas questões indagativas sobre as drogas precisam ser potencializadas ao máximo, na medida que sendo o “ser humano” o principal objeto, deveríamos aceitar possíveis motivações da pessoa, possíveis causações do desejo de consumir e de consumir elevada quantidade. Existem, para além da possível diversão, questões subjetivas que fornecem os incentivos à decisão consciente de consumir (consciente no aspecto do psique e não de que sabe o que está fazendo).
Enfim, dinheiro e fama são características pessoais que causam o contraditório quando os óbitos ocorrem com pessoas possuidoras destas.
Então, como devemos nos posicionar em relação ao consumo, na medida que demonizamos o vendedor, e o ato do comércio das drogas que convencionaram ilícitas?
O problema está realmente naquele que coloca à disposição às drogas ilícitas? Então por que não criminalizar as drogas lícitas?
Estamos escondendo algo? Será que o senso comum, que não dispõe dos elementos críticos e questionadores, deveria se apossar de mais informações antes de “apontar” o dedo para quem é o mais fraco socialmente nesta história? Quem é o mais fraco mesmo?
Não vejo verdades. Não vejo precisões. Vejo práticas repressoras. Vejo o consumo aumentando. Penso, para não seguir o coro cego e talvez hipócrita de um coletivo social que talvez nem saiba o que está fazendo...matando e prendendo com certeza...revertendo...disso eu duvido!