A complexidade da conduta humana

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INSTITUTO DE ESTUDOS CRIMINAIS DO ESTADO DO RIO DE JANEIRO

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domingo, 30 de setembro de 2012

VIDA POLÍTICA-SER POLÍTICO-INDIVIDUALISMO

VIDA POLÍTICA – SER POLÍTICO- INDIVIDUALISMO Por Aderlan Crespo Nestes tempos que globalizar significa expandir as regras econômicas de uns países sobre outros, afirmar a importância de línguas sobre outras (ainda acreditamos que falar inglês fluente é sinal de qualificação e destaque) e de dividir a responsabilidade pelos desequilíbrios financeiros presenciados em vários países “desenvolvidos” (outro termo criado para nos colocar abaixo), a participação das pessoas na vida política da polis deixa de ser algo fundamental para se tornar um fardo e indiferença. O interesse pela vida própria, pelos desejos e planos individuais sobre todo o resto, ou seja, sobre a “vida da cidade”, que Bauman ainda assevera ser a “comunidade”, passou a ser o tradicional, comum ou natural. Como visualizar o processo eleitoral neste contexto? Simples, a eleição é o raro momento no qual surge, concretamente, o “povo”, momento que a ideia de povo se materializa, que a aldeia assume uma imagem, substituindo o nada espacial do dia-a-dia. Passando este momento efêmero, possivelmente no mesmo dia ainda, retornamos aos corpos desprendidos do público e do coletivo, soltos e livres pelas ruas, mecanizados na vida urbana, apenas com significado e sentido na vida própria, bem comoe de seus familiares, com espasmos para as amizades mais próximas ou acenos entre vizinhos, em moradias que ainda consagram hábitos artesanais do cotidiano . Mas a regra, após o “tempo criado” para o voto, é deixamos de ser povo, passarmos a ser elementos privados, totalmente privados, que nada se destaca para e com a comunidade, a não ser a sua presença elementar, com valor único para o próprio sujeito, e enquanto ainda se está vivo. Aliás, a morte, nestes tempos, de inúmeras informações relâmpagos, possui apenas significado para os mais próximos, e ainda assim a lembrança vai se apagando neste processo mecanizante da cidade acelerada, consumida por tantas superficialidades, e que sequer paramos para contextualizar e avaliar. No Brasil, as eleições, por outro lado, enquanto prática estanque e incômoda, se destaca de forma pela possível obrigatoriedade do voto, que tenta afirmar a grande prova da existência da democracia. Esta contradição, de coagir o indivíduo ao voto, rompe com que há de mais puro na essência história e política da democracia, que significa “participação” e “envolvimento” na prática comunitária. Estar no mesmo lugar é dividir os mesmos problemas, as mesmas vitórias, ou seja, o que há de comum à todos. Mas nestes tempos, que deixou de ser preenchido pela TV, agora conduzido pelas novas tecnologias (email’s, facebook e googles), “comunidade” significa um eufemismo para “favela”. Tecnologia passou a ter um signo profético de mudança, que nos coloca à frente a cada dia, deixando o ontem para uma antiguidade quase inexistente. Ser hoje e estar “linkado”, e amanhã é essencialmente um “tempo surpreendente e descontrolado”, pois uma informação nos chega “ao vivo”, mudando o nosso “agora”. O presente chega à ser apenas o limite do tempo medido em uma hora, e o passado apenas o que vivemos na última hora. Assim, o ontem já passou a ser antigo.O mundo se tornou maior, mas também se tornou mais acessível...estamos localmente globalizados. Especialmente no Brasil, nas propagandas do TSE “um senhor simpático” afirma que o “voto é obrigatório” para aqueles da faixa etária escolhida pela lei, e facultativo para outros, mas que todos os “possíveis” e “escolhidos” deveriam praticar o voto, até o “analfabeto” pois são importantes, ...enquanto eleitores. O fato é que, este personagem da campanha televisa, de um senhor sensato, paciente, que conserta relógios, chama a atenção para a importância do voto, numa “falsa” campanha de “comprometimento” com a comunidade, ou dever cívico (conduta cunhada pelo poder duro dos militares), mas que não destaca que esta importância seja resultado de uma consciência neste mundo individualista e consumista. Afirmar que votar é importante sem contextualizar, sem conscientizar, e garantir nada mais enquanto cidadão, é escondera face ditatorial deste direito, que inclusive, se não praticado por que tem a “obrigação”, resulta em punição. Então, onde está o caráter cívico nesta obrigação punível? E, no cenário construído pelos pós-militares (civis democráticos), a vida política tornou-se sinônimo de fraude, desconfiança e vantagens milionárias. Resta-nos, pobres sujeitos de direitos, na FALSA DEMOCRACIA BRASILEIRA, escolher: a) aquele que vai manter meus privilégios; b) aquele vai me presentear com algum privilégio; c) aquele que possivelmente irá atuar para todos, desigualmente, procurando atender os mais vulneráveis, numa prática da chamada “justiça comutativa” forjada por Aristóteles, quando a polis era o lugar de um exemplo de vida comum. O grande problema, é que se sou individualista, porque votaria em alguém que quer governar para todos? Que os outros...de fato, se d..., e humanidade dê seu jeito, sozinha, ou pelos “desenvolvidos”, que adoro copiar, porque é “chique”, como alertou o saudoso Milton Santos.