Por Aderlan Crespo
Imaginemos um Maquiavel contemporâneo observando “A Política” no Brasil...contemplaria inúmeros casos à distância, pela TV ou pela internet. Mas, conheceria, de fato, o que estaria ocorrendo? Possivelmente não, então entraria dentro dela, e depois, como feito cinco séculos antes, divulgaria tudo que deveria ser feito pelos Príncipes brasileiros...para ensinar ou para revelar ao povo as surdinas ações praticadas em gabinetes, corredores, restaurantes, mansões e etc.
Maquiavel, do século XV, ao se referir ao principado civil, isto é, ao povo, afirmou: “Quem se torna príncipe pelo favor popular, precisa manter-se seu amigo, coisa muito fácil já que este quer apenas não ser oprimido.”
Maquiavel, pessoa atenta e astuta, certamente escreveu a obra “O Príncipe” visando servir de referência para a Itália de sua época, ainda mantida na lembrança pelos bárbaros, e para a Itália do futuro...Contudo, é possível afirmar, também, que sua obra tornou-se atemporal.
Retornando ao Maquiavel brasileiro, este perceberia que os príncipes mais importantes seriam os que manipulam o poder, o dinheiro e as leis. Assim, estaria admirando a casta dos legisladores, pois admitiria que suas forças são imensuráveis...quase a dos heróis, que sempre vencem ao final. Sofrem abalos, mas não perdem o poder. Maquiavel, ao acompanhar as experiências para o seu próximo livro, no Brasil, estaria bem próximo de homens como: Antônio Carlos Magalhães, Renan Calheiros, Fernando Collor, Roberto Jeferson, entre algumas outras dezenas de exemplos.
Maquiavel, encantado com tanta experiência seria autor da obra “Os Príncipes”, referindo-se aos legisladores e constaria de sua obra reflexões-sugestivas como: Um príncipe das leis não deve admitir o erro (fraude); não deve renunciar, a não ser que perceba estar sozinho (seus amigos se foram); deve contratar advogados entre os amigos, principalmente ex-ministros; Um príncipe das leis não deve se pronunciar aos jornalistas, não dando qualquer explicação, a não ser: fui traído!...ou provarei “verdade”, preferencialmente com olhos lacrimejados diante das câmeras; Um príncipe das leis deve procurar ocultar-se para aguardar o novo alvo, o novo escândalo, que certamente ocorrerá; Um príncipe das leis deve subir à tribuna e, sem qualquer olhar atento, proferir um longo, extremamente longo, discurso, no qual nada deverá ser dito sobre o fato que lhe imputam, apenas debruçar-se ereto, com semblante rígido e, ao final, asseverar: obrigado senhor presidente desta casa!
Então, Maquiavel, tendo escrito no século XV que o povo apenas não deseja ser oprimido, e que tudo permitirá por inércia, diria ao governante máximo: “o soberano deve afirmar, repetidas vezes: “Eu não sabia de nada...”; “Vamos apurar!”; “Nunca na história deste país...”.
Pela teoria de Gestalt (segundo a qual não percebemos jamais senão conjuntos de elementos, apoiados em ilusões de ótica), o povo estaria vendo, no conjunto, que tudo caminha à frente...ou, que o “tempo não pára”!
A gnose, ou o próprio gnosticismo, nos permite a busca do conhecimento sem se apoiar na fé, apenas retomando as origens e os valores dos fatos. Mas, neste aspecto, estaríamos muito desiludidos para usar o nosso precioso tempo para “conhecer” aquilo que a TV já nos mostra...governo dividido por grupos, empresas visceralmente próximas dos palácios, dinheiro circulando em altas cifras e, contraditoriamente, o povo recebendo aumentos de 5%, hospitais e escolas sucateados, pessoas cada vez mais presas, acusados do passado comandando Cpi’s de hoje, verbas de gabinetes de cinqüenta mil reais, ou seja, uma grande peça que nem Shakespeare, vivo, idealizaria com todo seu insight...quem sabe Bocage, rebelde e irreverente, e já que teve seu pai preso por acusação de fraude, e ele mesmo preso pela inquisição por seu estilo poético. Aliás, Cazuza o fez em suas canções, assim como Lobão e o referencial Bussunda em suas criações cômicas. Viva a arte! Viva a República!
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