A complexidade da conduta humana

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INSTITUTO DE ESTUDOS CRIMINAIS DO ESTADO DO RIO DE JANEIRO

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segunda-feira, 17 de outubro de 2011

Ourismo, feudalismo, capitalismo e... Aderlan Crespo

Desde os remotos tempos os seres humanos demonstram que durante a vida é importante se proteger, e assim forjaram as suas armas, e suas casas, e suas tribos e...o Estado! Neste mesmo processo idealizaram a riqueza, e que veio a se tornar, de forma claramente anunciada, a forma mais eficiente de força e de poder! O conceito de fraco e forte passou a ser determinado pelo quem tem mais riqueza.



Do período greco-romano até a revolução industrial o ouro se mostrava o maior responsável pela riqueza de alguém...de Reis-Imperadores (Salomão, Tutancamon, Cléopatra, Césares) até os governantes medievais (Papas e Bispos) da Igreja Católica.



A produção em alto volume de forma repetida fez com que os próprios seres humanos gerassem a riqueza de outros seres humanos. Perspecazmente, alguns se tornaram ricos porque outros simplesmente usaram suas energias e tempo para torná-los ricos! Assim, do ouro à terra, o que fez alguém se tornar rico foi o dinheiro... isso mesmo, aquele papel ou metal (não de ouro) que alguém possuía –e possui- simplesmente porque um sistema de “produção” de “coisas” substituiu os aqueles nobres (um que brilhava e outro que germinava) produtos naturais.



Os seres humanos foram se envolvendo de tal forma que não havia como se defender mais desta forma de poder: ou trabalha neste novo sistema, se conseguisse um “emprego” (invenção deste novo sistema) ou estaria destinado a: passar fome, ficar pelas ruas, usar da violência, ser preso, ser motivo de medo, ... e ser beneficiário, no futuro republicano, de políticas assistenciais do Estado. Ficou complexo!



Karl Marx olhou ao seu redor e chamou atenção para esse novo sistema e afirmou que haveria uma “massa de reserva” que estaria aos milhões pelo mundo, se houvesse uma expansão desta forma de viver em “comunidade”. Criaram o termo comunismo para quem concordava com ele (eleitos inimigos pelos membros do grupo do “bem”), e ventilaram teorias contrárias afirmando que haveria “riqueza” para todos! Assim o fizeram, desde os “burgueses” franceses até Adam Smith na Inglaterra, sustentando o liberalismo. Durkheim e Parson também criaram algumas idéias para afirmar a importância da nova sociedade, na qual todos participariam na medida de suas condições ou papéis...Hobsbawn não concordou: a Nova Era seria de recrudescimento da desigualdade. Milton Santos, contrariando Giddens (sugestor do neoliberalismo), propôs uma outra alternativa diante do que acontecera com neste sistema após a segunda-guerra: alterar as escolhas e criar um novo “globalitarismo”: dividir o alimento para matar a fome, criar riquezas para superar as necessidades de todos. Mas, continuamos a assistir o exemplo da proposta inicial: produzir, concentrar e excluir. Ah!..., prender também (grande invenção medieval que serve até hoje contra os...bandidos, que claro, são “quase” os mesmos que incomodavam no passado: mendigos europeus que não estavam na indústria, escravos e ex-escravos americanos seqüestrados da África pelos portugueses e ingleses, desempregados, e...atualmente, os que optam por vender drogas, tirar relógios...de vez em quando prendem também alguns homicidas ricos, executivos e tentam provar a imparcialidade do Estado e da Política Criminal.).



Agora três matérias surgiram recentemente nos jornais: Otimismo com Europa faz bolsas subirem 5% (Wall Street têm alta menor, depois que o FT reportou divisão na zona do euro sobre ajuda à Grécia. Manifestantes ocupam o Zuccotti Park, próximo a Wall Street, em protesto contra ganância dos mercados, que vêem como orgiem da crise). O Globo, 28 de setembro de 2011;Ameaça de explosão da Europa (para diretor francês, não é o euro que está em perigo, mas aliança política da União Europeia). O Globo, 02 de outubro de 2011; G-20 quer recuperar confiança em bancos (França proporá regras para proteger consumidores. Emergentes pedirão em encontro maior representação do FMI). O Globo, 15 de outubro de 2011.



Neste mesmo tempo o IBGE anuncia: A Síntese de Indicadores Sociais revelou que, embora tenha melhorado nos últimos dez anos, o nível de pobreza da infância e adolescência no país ainda é elevado; O estudo destaca que a renda da família é determinante para a frequência à escola, que aumenta conforme aumenta o nível de rendimento das famílias; 14,7% dos brancos e somente 4,7% dos pretos e pardos adultos tinham superior completo em 2008; Entre o 1% com os maiores rendimentos, apenas 15% eram pretos ou pardos; 32,2% dos idosos não sabiam ler e 51,4% eram analfabetos funcionais; Mulheres têm mais escolaridade, porém ganham menos em todas as posições na ocupação; Na Região Nordeste, 66,7% das crianças, adolescentes e jovens viviam ainda em situação de pobreza; Em dez anos dobrou percentual de jovens freqüentando a universidade;



Neste sistema (perverso para uns ou necessário para outros) denominado “capitalismo” (que presenteia com eventuais e superáveis inconvenientes) criaram vários conceitos e símbolos. Um deles foi “país do terceiro mundo”, ou, para ser travestidamente mais simpático: “em desenvolvimento”. Este termo surge após a segundo guerra quando os países aliados fortaleceram suas economias e fomentaram o domínio através do mercado, e paralelamente denominaram-se: “potências”, “primeiro-mundo” ou “desenvolvidos”. Daí aceitamos estes termos estigmatizantes, e buscamos sair deste fosse econômico social que sugeriram e incorporamos. Agora estamos na fase do “emergente”, com direito a compor o Brics e o G-20.



Após adorarmos o deus Mickey, a ponto de ser o sonho dos “qinze-anos” e não nos importamos com o salário asiático pago para vestirmos Nike, estamos diante da seguinte cena: Marx está vivo, olhando para os EUA e a COMUNIDADE Européia, e balbuciando: “Why?”.



Nesta sociedade, que concentra e exclui, não aceitamos que ninguém faça o que já determinavam na França e na Inglaterra do século XIX: pobres por favor! Não furtem, não estudem, não comam e fiquem em ordem! Saibam esperar!...Toma aí uma moeda!



Hoje, até mesmo alguns analistas e políticos norte-americanos (Hilary) avisam: ” é preciso olhar e aprender com os países do Sul” (leia-se: colonizados com o rótulo pós-moderno de “terceiro-mundo”). Quem sabe nós estamos caminhando mesmo para uma mudança interna, após sofrermos com a invasão, seqüestro, escravidão e exploração, e com o crescimento de tantos pobres trabalhadores e consumidores, que aguardam os ” direitos” já concedidos em lei pelos “honrosos e solidários senhores do poder” . Será esta a possível saída: caminhar para igualdade e sermos mais iguais do que desiguais. Isso seria contrariar a própria história! Enfim, apesar de todas as questões internas no Brasil (de corrupção à democracia de que tudo pode) talvez a nossa opção seja mesmo diferente, mesmo permitindo os grandes lucros das multinacionais e do setor bancário. É no mínimo interessante ler a seguinte matéria: Dilma estuda criar Ministério dos Direitos Humanos. 14 de outubro, de 2011.